O que você já deixou de fazer por causa da acne
Parece inofensivo, mas imagine cancelar compromissos importantes inúmeras vezes por conta da acne.

Imagine o seguinte cenário: você está ansiosa por um compromisso importante (por exemplo, o aniversário da sua melhor amiga) e, no dia do aniversário, você se depara com uma espinha bastante inflamada na bochecha. Num instante, toda aquela empolgação vai embora e você se pega pensando em como irá esconder aquela indesejada. Pensa até mesmo em inventar uma “desculpa” para não comparecer ao aniversário.
Parece inofensivo, mas imagine cancelar compromissos importantes inúmeras vezes por conta da acne. Quais impactos esse constante isolamento tem na vida dessa pessoa? O quanto ela aproveita genuinamente a sua vida? Como estão os seus relacionamentos com os amigos, parceiros amorosos, colegas de trabalho?
Já senti na pele a vergonha e o isolamento.
Acredite, cara leitora, caro leitor, quem está aqui do outro lado escrevendo esse conteúdo sabe bem disso. Incontáveis vezes cancelei passeios ao ar livre, festas com os amigos, confraternizações do trabalho, consultas médicas e até mesmo trabalhos porque meu rosto estava repleto de espinhas. Senti vergonha até mesmo de ficar com o meu companheiro sem maquiagem.
Frustrações fazem parte da vida e saber superá-las é o que nos torna saudáveis e independentes. A questão é que a sociedade em geral não considera a acne como uma doença multifatorial, muito menos como fator de risco para doenças mentais.
Pelo contrário, a acne é considerada um “problema” no qual o único responsável é o indivíduo acometido por ela. Ela está associada a inúmeros conceitos equivocados e negativos (“sujo”, “feio”, “desleixado”, “doente”).
Além disso, a sociedade acredita ter direito de fazer comentários sobre aqueles que sofrem com a acne: “já pensou em lavar esse rosto?”; “é só cortar o açúcar”; “passa uma maquiagem!”; “é só tomar roacutan!”; “coloca um filtro nessas fotos!”. Agora imagine ouvir frases como essas todos os dias.
O isolamento social é um sinal de alerta
O isolamento social ocasionado pela acne costuma trazer inúmeros prejuízos para a vida das pessoas. Hoje se sabe que esse isolamento pode ocasionar doenças físicas, mentais e até mesmo reduzir a expectativa de vida.
Somos seres sociais e necessitamos de vínculos para sermos completos e felizes. Portanto, o isolamento social é um importante sinal de alerta para que a pessoa acometida pela acne busque ajuda psicológica. Mais ainda: quem sofre pela acne e não busca essa ajuda pode ter uma piora no estado da sua pele.
Mas como ter vínculos significativos se a sociedade como um todo está moldada em ideias equivocadas sobre essa doença? A nível coletivo, precisamos desconstruir esses conceitos e tratar a acne como ela é: uma doença. E como doença, a pessoa acometida por ela NÃO é culpada. A acne deve ser considerada como doença multifatorial e deve ser tratada por uma equipe multiprofissional. A nível individual, a pessoa com acne deve procurar ajuda de profissionais, conhecer melhor a sua pele e as melhores opções para tratá-la, trocar informações com outras pessoas acometidas pela acne e, se necessário, buscar ajuda de um psicólogo.
Como a ajuda psicológica pode te ajudar?
Em terapia, o psicólogo pode:
(a) auxiliar a pessoa com acne a se olhar com mais empatia;
(b) desconstruir conceitos errôneos sobre a acne e o ideal de pele “perfeita”;
(c) trabalhar a sua autoestima para além das características físicas;
(d) trazer informações validadas cientificamente sobre a acne;
(e) auxiliar o paciente a se expor a diferentes contextos sociais; e
(f) reforçar suas redes de apoio.
Cabe ressaltar que uma modalidade de tratamento não anula a outra. Pelo contrário, é demonstrado que o tratamento combinando medicações, cosméticos, procedimentos e psicoterapia costumam obter resultados mais satisfatórios. Afinal, o que você sente dentro a sua pele reflete fora dela e vice-versa.
E como indivíduo não acometido pela acne, o que posso fazer para ajudar essa comunidade? Seguir a máxima “NÃO FALAR SOBRE A APARÊNCIA DO OUTRO”. Não importa o quanto desejamos e somos ensinados a opinar sobre tudo, o corpo e a pele do outro NÃO NOS DIZ RESPEITO.
Aceite e acolha os seus amigos com acne. Escute, encoraje em seus momentos de vulnerabilidade. Os incentive a sair, convide para a construir boas memórias com pessoas queridas, independentemente do estado da sua pele.
Viver em uma pele acneica é um processo que tem muitas fases diferentes, e a acne pode persistir durante toda a vida, por isso, estamos aqui para te dizer que se você está passando por isso agora, você não está sozinha ou sozinho.
A acne não define você, a sua capacidade, a sua beleza ou quem você é.
Conta com a gente nessa jornada!
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Andresa Bibiano
Psicóloga e mestra pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Aficionada pelo estudo do comportamento humano. Nas horas vagas, assiste resenhas sobre cosméticos e adora comprar e testar novos produtos. Com pesquisa e autoconhecimento, chegou a ótimos resultados no tratamento de sua pele acneica. Seu objetivo é compartilhar conhecimento com quem precisa e conscientizar sobre a importância da psicoterapia.